segunda-feira, 8 de julho de 2013

Medidas que transformam o mundo

(*)Antoninho Marmo Trevisan
Ante o pífio desempenho do PIB no 3º trimestre, com expansão de apenas 0,6%, está correta a decisão, anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de estender para 2013 o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com aporte de R$ 100 bilhões. A meta é viabilizar crescimento econômico de 4% no ano novo, conforme almeja o governo.
Embora a providência esteja tecnicamente correta, assim como a redução do IPI para automóveis, linha branca e construção, dentre outras medidas anticíclicas que vêm sendo adotadas, o PIB do terceiro trimestre confirma a tese que temos defendido com ênfase, de que não temos como continuar crescendo de modo vigoroso sem realizar as chamadas reformas estruturais.
Atos pontuais socorrem a economia em conjunturas como a da crise mundial. A sustentabilidade do crescimento, porém, só se alcança com ações verdadeiramente transformadoras. Duas delas estão em curso no País. A primeira é a elevação do crédito, um dos principais motores do nível de atividade. A segunda é o anúncio feito pela presidenta Dilma Rousseff referente à destinação ao ensino de todos os royalties e participações especiais arrecadados com as futuras concessões de petróleo e gás e 50% do Fundo Social, integrado pelos recursos do Pré-sal.
Embora não tenha efeito em curto prazo, a decisão poderá significar a solução definitiva de um dos grandes problemas estruturais do Brasil, que é a precariedade do ensino. A medida beneficia todo o País, atendendo a uma prioridade de todos os brasileiros. Portanto, também deveria desarmar os espíritos quanto à acirrada disputa pelos royalties.
O mais importante é que teremos recursos para reverter um quadro muito desfavorável ao nosso desenvolvimento: o Brasil ocupa o 53º lugar, dentre 65 nações analisadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que inclui alunos da 7ª série em diante e é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); a despeito das políticas públicas que incentivaram a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, mais de 700 mil ainda estão fora da escola (IBGE); o analfabetismo atinge 10% da população, mas considerado o funcional, passa de 30%; 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler e 20% dos jovens que concluem o Ensino Fundamental e que moram nas grandes cidades não dominam o uso da leitura e da escrita (“Todos pela Educação”); baixos salários do Magistério; e o elevado o número de jovens que não conseguem ingressar nas universidades.
Com o grande volume de recursos a ser destinado à educação pelos futuros royalties do petróleo, temos tudo para resolver um dos gargalos que impedem nosso desenvolvimento, inclusive a falta de mão de obra especializada, o chamado “apagão profissional”. Agora, precisamos de mais medidas capazes de mudar nossa história, como as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, menos burocracia e mais segurança jurídica, cuja postergação nas últimas duas décadas é inaceitável.
(*) Antoninho Marmo Trevisan é presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Honda vai instalar uma nova fábrica no Brasil?

A Honda Automóveis divulgou nota à imprensa informando - dentro do conceito global corporativo de one floor - a decisão de concentrar todas as operações administrativas no Brasil em um único local. Para tanto, iria construir uma nova sede administrativa ao lado da fábrica de automóveis, em Sumaré (SP).
No mesmo dia, em aparente contradição com o conceito one floor, o jornal Valor publicou reportagem a partir de entrevista com Masahiro Takedagawa, presidente da Honda na América do Sul. Segundo a matéria, o executivo informava que a Honda precisava crescer no Brasil e para tanto seria necessário uma segunda fábrica, para a qual estava avaliando vários estados e municípios brasileiros.
Segundo Takedagawa, apesar de a fábrica de Sumaré ocupar apenas 10% do terreno de 1,7 milhão de m², a companhia tem pouco espaço para ampliação, dada a área verde preservada e aos espaços para estacionamento e pátio de carros. Além disso, o terreno irá abrigar, até 2014, a nova sede administrativa e o centro tecnológico (no qual está investindo US$ 100 milhões).
"Precisamos crescer e, naturalmente, estamos estudando profundamente essa possibilidade [de investir em nova fábrica]", publicou o jornal.
Há quase um ano a fábrica de Sumaré opera com duas horas extras na jornada de trabalho diária e, segundo o jornal, teria chegado ao limite da capacidade produtiva, com a produção limitada a 140 mil carros/ano (apenas 3% acima do recorde registrado em 2012, de 136 mil automóveis fabricados no País).